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sábado, 23 de maio de 2015

Os gastos do herdeiro

O bebê invade nossa vida e nesse momento percebemos que a antiga planilha não condiz mais com as despesas da casa, mesmo que você tenha se planejado para isso. Afinal, qual a origem do rombo? O desfalque pode estar sendo causado pelos pequenos gastos, aqueles a que não damos muita atenção no dia a dia, mas que fazem toda a diferença no fim do mês, como a conta da farmácia, o extras do supermercado, os bodies novos do recém-nascido. Para ajudá-la a reorganizar seu orçamento doméstico, mapeamos todos os gastos médios do primeiro ano de vida do seu filho. Esse é um passo fundamental para atualizar sua planilha e, de quebra, lá na frente, financiar seus sonhos, seja o pagamento de uma boa escola, seja uma deliciosa viagem em família.

1. Os gastos com a babá vão além do salário
Nas finanças domésticas, essa profissional vira um item importante da planilha. Afinal, ela ganha um salário de pelo menos R$ 600, podendo superar os R$ 2 mil, além de transporte e encargos trabalhistas, como férias e 13º. Mas a conta não acaba aí. Sem se considerar avarento, pense que a nova empregada vai usar a casa o dia inteiro. Resultado: contas de luz, água, telefone, gás e mercado aumentam, invariavelmente. Pode parecer insignificante, mas não é. Refeições, banhos, usos de eletrodomésticos, ligações interurbanas, pratos quebrados... Tudo dobra, e o preço disso é alto. Se ela dorme no serviço, então, os gastos sobem ainda mais, já que a moça vai lavar roupa, assistir à TV, ouvir rádio, jantar e assim por diante.
2. Os extras da escola
Ao colocar na sua planilha o item escola, inclua aí também o transporte - caso você opte pela perua escolar - os eventuais lanches na cantina e as atividades extracurriculares. Sim, você terá de desembolsar alguns bons reais para pagar o presente do Dia dos Pais, a fantasia da Páscoa, a festa junina, as excursões, as comemorações de fim de ano etc. Outro ponto a ser observado com atenção é o padrão de consumo dos amigos. Se os coleguinhas do seu filho têm brinquedos e hábitos de lazer caros, acredite, você vai fazer de tudo para proporcionar o mesmo a ele, nem que para isso precise entrar no cheque especial.
3. A festa de aniversário também deve estar na planilha
A maioria dos pais sabe que tem de pagar escola ou babá, comprar fraldas e até fazer um supermercado mais gordo. Poucos se lembram que uma vez por ano terão de desembolsar um bom dinheiro na festa de aniversário do pequeno. Mesmo os que optam por reuniões em casa com soluções artesanais chegam a gastar até R$ 1 mil. Se a ideia é fazer em um bufê infantil, aí os valores aumentam - e muito. A dica é incluir cerca de R$ 350 no orçamento mensal, destinados exclusivamente para financiar a festa e um brinquedo especial. Tudo resolvido? Ainda não. Sabe aquela multidão de crianças que foi ao aniversário do seu filho? Pois é, todos eles também fazem aniversário. Isso significa a média de uma a três lembrancinhas por mês - não dá para chegar de mãos abanando, não é? Faça as contas, levando em consideração que cada presente sai por entre R$ 30 e R$ 100. Seja como for, pense que esse item pode ser um importante foco de remanejamento do orçamento.
4. As roupas têm vida curta
O item vestuário talvez seja o mais capcioso do orçamento doméstico. As crianças crescem rapidamente e perdem tudo em um piscar de olhos, e nem sempre os gastos com roupas novas são contabilizados no orçamento mensal. Por isso, vale a pena abrir uma janela na tabela de despesas mensais: roupas e acessórios.
5. É importante ter uma reserva para as despesas médicas
Saiba exatamente o que seu contrato cobre para não ter surpresas. Existem inúmeros casos de pessoas que ficaram na mão quando mais precisaram do convênio, como diante da necessidade de um parto prematuro seguido de uma longa internação ou outras situações inesperadas. Caso você opte por levar seu filho a um médico que não seja do plano de saúde, lembre-se de que no primeiro ano de vida o bebê precisa visitar o pediatra uma vez por mês. Contabilize, então, os gastos dessas consultas. Não se esqueça, também, das vacinas que não são disponibilizadas gratuitamente na rede pública de saúde. Poucos pais se lembram delas quando estão grávidos. Só que elas custam dinheiro. Ponha no papel. Em um ano e meio, o desembolso pode chegar a mais de R$ 1,5 mil.
6. Os gastos com itens de farmácia são os que mais sobem
Os gráficos disponibilizados pelas operadoras de cartões de crédito para seus clientes comprovam: os gastos com itens de farmácia são os que mais sobem quando se tem um filho. Fazem parte dessa lista fraldas, lenços umedecidos, pomadas para assadura, algodão, xampus, antitérmicos, analgésicos e antibióticos.
7. O enxoval continua mesmo depois que o bebê nasce
Os nove meses que antecedem o parto são de muitos gastos. Os pais compram berço, cadeirão, bebê conforto, carrinho de passeio, cadeira para o carro, roupas e tudo mais. É uma despesa alta, porém previsível. O que ninguém conta para essa família recém-crescida é que em pouco tempo uma nova leva de produtos específicos para o bebê terá de ser adquirida. Os desavisados acabam, então, tendo de arcar com o umidificador e o ventilador para os dias de calor, o inalador para o nariz entupido, o abajur para contar história... Isoladamente, não são produtos que vão falir um casal, mas, no bolo orçamentário, principalmente se não estiverem no planejamento, podem fazer a diferença, sim.
8. Despesas tamanho família
Basta sair de casa para programas até então simples, como ir a um teatro e, depois, comer fora, para entender que os fins de semana encareceram. As férias e os feriados também. Viajar com crianças significa gastar mais com passagens, hospedagem e infraestrutura. Mesmo porque não dá mais para topar de cara qualquer roteiro. O local deve ser apropriado para o público infantil, de preferência, com monitores e muitas atividades. Em outras palavras, mais despesas. Nesse caso, o planejamento e a divisão do gasto por mês é a melhor orientação.
9. As atividades extras costumam virar ordinárias
Mal o bebê completa 4 meses e os pais já estão a postos para matriculá-lo na natação. Com o passar dos anos, vêm o judô, o balé, o inglês e assim sucessivamente. Tem também o acompanhamento fonoaudiológico, os óculos e o dentista. Até chegar ao cabeleireiro infantil, que custa mais caro porque oferece cadeiras de bichinhos e telas com os desenhos mais desejados, além de sala com brinquedos. Pois é, essas despesas também pesam e ajudam a bagunçar o orçamento de quem não se organiza.
10. Tenha sempre um fundo de emergência
Fazer um planejamento financeiro para a chegada de um bebê significa enxergar todos os gastos e computá-los em uma planilha. Vale aqui conversar com amigos que já tenham filhos e saber as despesas reais. Significa também estar atento ao que é mensal, bimestral, trimestral, semestral ou anual. Os gastos devem ser divididos por mês. O ideal é calculá-los com base no total do ano, incluindo despesas pontuais, mas previsíveis, e dividir tudo por 12. Fazendo isso, você terá seu orçamento. Se não for mais do que você ganha, está no caminho certo. Se for, trate de remanejar. Ainda assim, é preciso considerar que os filhos são cheios de surpresas. Portanto, viva sempre com um fundo de emergência.

Fonte:
http://bebe.abril.com.br/materia/10-dicas-para-nao-entrar-no-vermelho

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Aprendendo sobre educação financeira

Berço de grandes empreendedores e de olho nos futuros protagonistas de sua sociedade, Rio Preto começa a difundir o assunto entre crianças e adolescentes. É no ambiente escolar que noções sobre educação financeira, consumismo, dinheiro e empreendedorismo passam a fazer parte do cotidiano de jovens estudantes. Sem contar o papel fundamental que os pais têm na formação desses consumidores. A educação financeira ainda não faz parte da grade curricular das escolas públicas, mas algumas, principalmente as particulares, já implementam a disciplina, seja por meio de cursos e projetos esporádicos ou oficialmente inclusa no programa. 
“Desenvolver a inteligência financeira é fundamental na vida de qualquer pessoa e iniciar este processo na infância é ainda mais saudável. Para se conectar às oportunidades que surgirão na vida dos alunos, muitas vezes, serão necessários recursos. Outro aprendizado é priorizar a aplicação do dinheiro ao invés de gastar em coisas fúteis”, afirma Jorge Scandelai, professor de empreendedorismo do Anglo. 
“É necessário formar os jovens para serem os administradores de seus recursos e consumidores conscientes. Para isso é preciso saber o valor do dinheiro”, afirma Wilma Resende Araújo Santos, diretora superintendente da Junior Achievement, entidade que atua com a disseminação dos conceitos de empreendedorismo em escolas. Como a educação financeira é pouco disseminada entre os jovens, boa parte entra para a idade adulta sem conhecer o funcionamento do mundo das finanças e despreparados para obter um equilíbrio orçamentário e ter uma vida financeira saudável. “Para administrar a vida é preciso aprender a administrar o próprio orçamento, o da família, saber a importância de poupar e onde aplicar essa poupança.” 
Essa educação precisa ocorrer desde cedo e pode começar dentro de casa, com o apoio dos pais. Inicialmente com cofrinhos, depois com mesadas ou semanadas. “A criança precisa aprender a usar o dinheiro para subsidiar determinadas despesas, sem ter de recorrer a outros recursos”, afirma. E esse aprendizado só ocorre por meio da prática, que inclui também erros. O aprendizado também vem da observação dos pais. Aqueles que sabem administrar um orçamento certamente vão influenciar os filhos e ajudar a formar consumidores, empresários, profissionais que saberão usar os recursos de forma mais consciente, poupando e investindo melhor. Segundo Wilma, a abordagem desse tipo de assunto nas escolas provoca ainda o caminho inverso. “Os filhos acabam levando o conhecimento aos pais, que aprendem a administrar melhor os orçamentos e conhecem outros caminhos”, afirma.
Escola ensina a fazer planos e a gastar
Dinheiro não nasce em árvore, não cai do céu, não se pode comprar tudo, primeiro é preciso comprar o necessário... Esses são alguns dos conceitos sobre orientação financeira que os alunos do 2º ano do colégio América Escola Bilíngue estão aprendendo. Desde o início do ano o tema entrou para a grade curricular, do pré-2, ano 8º ano. Entre os objetivos, diminuir o consumismo e ensiná-los a poupar. 
No ensino da educação financeira, a prioridade é o empreendedorismo, ou seja, saber fazer planos e, antes de gastar, aprender a lidar bem com o dinheiro que ganhamos. “As atividades dependem da turma, mas eles aprendem a história do dinheiro, seu valor, a importância de poupar, pensam sobre a necessidade de gastar e do que é necessário gastar”, afirma a coordenadora pedagógica Renata Azevedo. 
Neste ano, para vivenciar o assunto ainda mais na prática serão realizadas duas feiras. A primeira, da barganha, quando os produtos poderão ser trocados entre os participantes. E a segunda, da Compra e Venda, que vai funcionar como uma negociação mesmo. Tudo será feito entre os alunos e tem o apoio dos pais. Cada estudante vai poder participar com três produtos. “Sempre trabalhamos o assunto, que entrou para a grade nesse ano. O próximo passo é incluir ideias e empreendedorismo.” Na sala da 2° ano, a turma com idade entre 7 e 8 anos aprende brincando num jogo de tabuleiro chamado independência financeira. Eles mexem com dinheiro de mentira e tem de enfrentar o peso dos juros e dos encargos quando se esquecem de pagar uma conta, por exemplo. “Vence quem poupar mais”, explica Renata.

Dicas
- Tudo começa com uma reunião em casa, em que cada membro da família expõe seu sonho. Pode ser um carro novo, uma geladeira, uma bicicleta ou qualquer outra coisa 
- É importante fazer um diagnóstico familiar de como as pessoas alcançarão seus sonhos. Um exemplo prático é reduzir a conta de energia. “Quando a mamãe quiser chamar a atenção do filho não vai mais dizer desligue o chuveiro e sim lembre-se da bicicleta”, afirma a educadora financeira Sandra Gobato. 
- Na escola, por exemplo, a economia pode ser feita num passeio. Ao invés de comprar um lanche é possível levar uma refeição mais saudável de casa. “Poupando para a realização dos sonhos as crianças não consumirão tanto e saberão esperar para adquirir o bem desejado”, afirma. 

Finanças no currículo
Embora ainda não faça parte do currículo, o assunto ganha força nas escolas. De acordo com a educadora financeira Sandra Gobato, no final de 2010, o processo de educação financeira no Brasil foi fortalecido com a criação da Estratégia Nacional e Educação Financeira (Enef) por parte do governo federal. A Enef busca estimular um consumo mais responsável entre a população e promover a conscientização dos consumidores em relação aos riscos assumidos nos processos de endividamento, reforçando a estabilidade a e confiança no Sistema Financeiro Nacional. 
Outra iniciativa que fortalecerá a disseminação da educação financeira principalmente em âmbito escolar é o Projeto de lei 171/09, que propõe a inclusão da educação financeira no currículo dos ensinos fundamental e médio. Na rede privada de ensino, a educação financeira vem ganhando espaço cada vez mais expressivo. Um desses métodos é o Programa Dsop de Educação Financeira nas Escolas. “O objetivo é contribuir para a criação de uma nova geração de pessoas, independentes financeiramente, que aprenderão desde cedo a utilizar o dinheiro de maneira saudável e consciente para a realização de seus sonhos.” 

Participação é de livre iniciativa 
No Ponto Alfa, a participação no projeto de comportamento empreendedor é livre. Segundo a professora Ana Maria Fernandes, no início do ano os participantes, principalmente do 2º ao 6º ano, elegem um sonho a ser conquistado ao final do período. Pode ser comprar um objeto de desejo, poupar para uma viagem, para o futuro. “Traçamos metas diárias, semanais e mensais para atingir a meta anual.” 
Para juntar o dinheiro, as crianças passam a vender produtos na escola, na entrada do período e na saída. Pode ser algo feito pelas mães, brinquedinhos e outros itens. Eles montam as bancas, pensam as estratégias de marketing e, muitas vezes, se o produto não emplaca, têm de mudar o foco do trabalho. “A evolução é analisada por meio de gráficos e o dinheiro é depositado no ‘banco da escola’”, afirma. O saque ocorre apenas no final do projeto. Quem não consegue atingir a meta é estimulado a não desistir. O objetivo pode ser mudado, a estratégia melhorada. “Optei por fazer um trabalho prático e as dúvidas e demandas vão surgindo.” 

Fonte: 
http://www.diarioweb.com.br/novoportal/noticias/economia/178942,,Criancas+e+adolescentes+aprendem+sobre+educacao+financeira.aspx